A cura da AIDS? Cientistas eliminam o HIV de animais vivos pela 1ª vez - Paraíba Feminina

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quinta-feira, 4 de julho de 2019

A cura da AIDS? Cientistas eliminam o HIV de animais vivos pela 1ª vez



Os antirretorvirais (ARVs) mudaram os horizontes de uma pessoa com HIV. Antigamente, contrair o vírus era um caminho sem volta – ele matou 35 milhões nas últimas quatro décadas. Hoje, os ARVs oferecem uma expectativa de vida tão longa quanto a de quem nunca foi exposto ao vírus da aids.

Usados ​​corretamente, esses medicamentos mantêm o HIV em níveis baixíssimos, quase indetectáveis, o que reduz drasticamente a chance de transmissão por transfusões sanguíneas e relações sexuais.

O que leva à pergunta: se a pessoa não apresenta mais os sintomas e tampouco transmite a doença, por que ela ainda não está curada?

Bem, porque o vírus ainda está no organismo dela. Mesmo escondido, ele está lá, esperando uma brecha dos ARVs para poder se reproduzir novamente. Curar a doença de vez é algo bem mais complexo.


Agora, em um estudo publicado no periódico Nature Communications, pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade Temple, na Pensilvânia, e do Centro Médico da Universidade de Nebraska relatam que eliminaram o HIV de camundongos vivos. É a cura da aids? Não. Mas, com certeza, é um novo caminho a ser explorado.

Mecanismo do HIV e dos ARVs
Antes de explicar como os pesquisadores conseguiram essa façanha, é importante revisar como o vírus da aids e os medicamentos antirretrovirais funcionam.

O HIV ataca o sistema imunológico, responsável por defender o organismo de doenças. Os principais alvos são células de defesa conhecidas como linfócitos T-CD4+. O vírus adere à parede dessas células e injeta nelas seu material genético (que consiste em duas fitas de RNA) e algumas proteínas acessórias. Com uma dessas proteínas, chamada transcriptase reversa, ele produz DNA por meio de seu RNA (daí o nome reverso: a transcrição, geralmente, produz RNA usando DNA).

Por fim, esse DNA fabricado pelo vírus é integrado ao DNA original da célula hospedeira. Com as instruções contidas nesse pedaço de DNA viral, a célula passa a produzir vírus. Em vez de atuar a serviço do ser humano, a célula vira um zumbi, uma fábrica biológica usada pelo vírus para produzir mais de si próprio. Ao final do processo, esses vírus fresquinhos destroem o linfócito zumbi e partem em busca de outras células do corpo para infectar.

Os antirretrovirais não atacam diretamente o material genético (o RNA) do vírus – que, sozinho, não é capaz de fazer nada –, e sim suas proteínas acessórias, as responsáveis pela parte prática da invasão. E essa não é uma abordagem ruim: como elas são responsáveis por basicamente tudo, barrá-las é o mesmo que parar a multiplicação viral. Sem essa multiplicação, a infecção não consegue se espalhar pelo corpo.

Mas o HIV é astuto. No início da infecção, alguns vírus vão a células remotas do corpo – como as do sistema linfático, ao qual pertence o baço – apenas para se esconder. Eles ficam lá, latentes, como uma reserva caso seus comparsas sejam eliminados.

Da Superinteressante

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