Ministério Público denuncia falso pai de santo por abuso sexual contra 4 mulheres - Paraíba Feminina

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sábado, 29 de fevereiro de 2020

Ministério Público denuncia falso pai de santo por abuso sexual contra 4 mulheres



Padres, pastores, líderes espíritas, pais de santo... Quando o assunto é assédio e violência sexual, não importa a denominação religiosa: nenhuma mulher está segura.

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) denunciou o religioso acusado de abusar sexualmente de, ao menos quatro mulheres frequentadoras de um templo no Distrito Federal. Wilson Rodrigo Braga de Araújo, 31 anos, conhecido como Wil, Exu Capitão Veludo, Exu Veludo e Exu Padilha, responderá por aborto e violação sexual mediante fraude.

O homem era responsável pela Tenda Espírita Caboclo Carlos Légua, em Águas Lindas (GO), onde ele se apresentava como pai de santo. A denúncia foi feita pela Promotoria de Justiça do Tribunal do Júri de Ceilândia. Entre janeiro de 2017 e novembro de 2019, Wilson teria convencido a vítima a manter relações sexuais com ele, alegando estar incorporado pela entidade Exu Capitão Veludo.

Ele dizia que, ao estar com ele, ela estaria protegida de um estupro. Na primeira vez que o homem usou o argumento, a jovem era menor de idade. Depois disso, ele esteve com ela em um motel de Taguatinga, e na residência dele, em Ceilândia. Em setembro do ano passado, a mulher descobriu uma gravidez e comunicou ao acusado que, no entanto, novamente dizendo estar incorporado, respondeu que ela teria duas opções: ter a criança e ser expulsa de casa, ou abortar.

Diante disso, ela concordou em interromper a gravidez. Wilson então teria providenciado substâncias que provocaram intenso sangramento vaginal e o aborto. 

Wilson foi preso em 14 de janeiro, acusado de abusar sexualmente de, ao menos, quatro mulheres. O homem foi detido em Ceilândia durante a Operação Veludo, deflagrada na terça-feira (28) de Carnaval.  Depois que a polícia divulgou que o acusado seria um líder religioso, a Coordenadora de Políticas de Promoção e Proteção da Diversidade Religiosa da Subsecretaria de Direitos Humanos e Igualdade Racial, Adna Santos, a Mãe Baiana, informou que ele não é uma liderança nem pai de santo. Em realidade, trata-se de um Iaô, termo usado para pessoas iniciadas no candomblé. “Ele se aproveitou do respeito que as pessoas têm pelos pais e mães de santo em Brasília para fazer o que fez.”

A Polícia Civil soube do caso por meio da mãe da menor. Ela começou a frequentar o terreiro procurando uma orientação espiritual para a filha. No local, conheceu o rapaz e passou a confiar nele, já que ele se dizia líder religioso daquele templo. Um dia, na casa da família, ele chamou a menina para ir até a residência dele, para que o trabalho espiritual fosse realizado com mais eficiência, pois lá haviam imagens de santos que ajudariam o processo.

do Correio Braziliense

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