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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

O abismo entre um presidente racista e uma presidenta linha dura contra o fascismo



A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, afirmou nesta quinta-feira, 20, que os ataques a tiros que deixaram dez mortos no dia anterior na cidade de Hanau, no oeste do país, foram provavelmente motivados por racismo e ideologia de extrema direita.

“Racismo é veneno. Ódio é veneno. Este veneno está presente na nossa sociedade e já é responsável por crimes demais”, afirmou a chanceler a repórteres nesta quinta. Merkel revelou que as investigações iniciais indicam que o atirador tinha motivações de extrema direita e racistas, com “ódio contra pessoas de outra origem, de outra religião e de outra aparência”.

Ao condenar o “terrível” ataque, Merkel ressaltou que o governo alemão trabalha para defender “os direitos e a dignidade” de “todas as pessoas no país”.

“Nós não diferenciamos por origem ou religião. Nós confrontamos aqueles que tentam dividir a Alemanha com toda a nossa força e determinação”, frisou a governante ao se solidarizar com parentes e amigos das vítimas e desejar uma pronta recuperação aos feridos pelas consequências “físicas e psicológicas” do ataque.

O autor foi encontrado sem vida, junto ao corpo da mãe, em casa nesta madrugada. As autoridades acreditam que ele possa ter matado a própria mãe antes de cometer suicídio. As forças de segurança encontraram munição no veículo que foi usado para a locomoção entre os ataques.

O atirador foi identificado pela imprensa americana como Tobias Rathjen, um alemão de 43 anos. O autor do ataque postou um vídeo nas redes sociais alguns dias antes do ataque em que fala sobre teorias da conspiração de extrema direita.

Esse caso na Alemanha deixa o mundo em alerta. Depois da Segunda Guerra Mundial, o país passou por um processo de reeducação. Assumiu a culpa pelo genocídio judeu, tentou purgar seus crimes, condenou nazistas, expôs e se expôs dentro de um contexto em que sua própria população foi conivente e apoiadora dos assassinatos e escravização de milhares de judeus, homossexuais, ciganos, comunistas ou qualquer minoria que fosse considerada "desagradável". Mesmo assim, a Alemanha sofre com a extrema direita e o fascismo.

No Brasil, onde os crimes de 200 anos de escravidão do povo negro  nunca foram devidamente estudados, debatidos e punidos, abrimos espaço para que o racismo se tornasse institucional. A lei contra o racismo,Lei n. 7.716/1989, é relativamente nova. Nesse vácuo da história, o racismo achou espaço para se fazer presente, e o que antes era vergonhoso, se tornou real e cotidiano.



Em uma de suas famosas lives, o presidente Jair Bolsonaro resolveu fazer uma "brincadeira" com o deputado federal Hélio Lopes Bolsonaro (PSL-RJ), o "Hélio Negão". Fiel escudeiro do presidente, o parlamentar adota o nome de Bolsonaro e, com ele, foi eleito para uma vaga na Câmara. "Deu uma queimadinha no Hélio, senão seria minha cara", comparou o presidente nesta quinta-feira (20).

Dizer que o presidente passou vergonha nem cabe mais. Ele nos envergonha perante o mundo, e pior que isso, endossa um discurso que só tende a aumentar as tensões de um país que está prestes a explodir.



Taty Valéria com informações da Revista Veja

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