Precisamos lembrar a barbárie de Queimadas: um estupro coletivo com mortes dado como “presente” de aniversário - Paraíba Feminina

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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Precisamos lembrar a barbárie de Queimadas: um estupro coletivo com mortes dado como “presente” de aniversário

Isabela Pajuçara e Michelle Domingos. 


Aconteceu em fevereiro de 2012.

Era madrugada do dia 12 e uma festa de aniversário no município de Queimadas estava chegando ao seu auge. Em determinado momento, 9 homens encapuzados invadem a festa, espancam e amarram homens e mulheres. À princípio, todos acharam que se tratava de um assalto.

As mulheres foram levadas para outro cômodo e foram estupradas. Cinco mulheres foram estupradas pelos nove homens. Duas foram assassinadas. Outras duas mulheres foram poupadas da barbárie.

Com o correr das investigações, as perguntas foram sendo respondidas.



Conforme as investigações da Polícia Civil e a denúncia feita pelo Ministério Público da Paraíba, os estupros foram planejados pelos irmãos Luciano e Eduardo dos Santos Pereira, que teriam chamado amigos para estuprar as mulheres convidadas para a festa de aniversário de Luciano. Segundo informações contidas no processo, o estupro coletivo seria um “presente” para o aniversariante.

A professora Isabela Pajuçara e a recepcionista Michelle Domingos foram assassinadas porque reconheceram os criminosos. Eduardo dos Santos era ex cunhado de Isabela.

Eduardo Santos, mentor do crime. Condenado a 108 anos de prisão

As mulheres poupadas eram esposas de dois dos criminosos.

Uma das vítimas, de 29 anos, foi morta em frente à igreja, no Centro da cidade, com quatro tiros, sendo dois na cabeça. Já a outra mulher, de 27 anos, foi encontrada, dentro do carro utilizado na fuga, na estrada que liga Queimadas a Fagundes. Ela foi morta com três tiros.

Seis homens - Luciano dos Santos Pereira, Fernando de França Silva Júnior, Jacó Sousa, Luan Barbosa Cassimiro, José Jardel Sousa Araújo e Diego Rêgo Domingues - foram condenados pelos crimes de cárcere privado, formação de quadrilha e estupro e cumprem penas entre 26 a 44 anos de prisão em regime fechado no presídio de Segurança Máxima PB1, em João Pessoa. Três adolescentes também foram julgados e sentenciados a cumprir medidas socioeducativas no Lar do Garoto.

familiares das vítimas


Em abril de 2018, um dos condenados, Diego Rêgo Domingues, passou a cumprir regime semi aberto.

O que havia de ser dito sobre o caso, foi dito. Entidades, instituições, imprensa, sociedade civil. Não se tinha notícia de uma violência tão brutal dentro da Paraíba.



Apesar das condenações, fica um gosto amargo. Crimes desse tipo nem deveriam acontecer. Mulheres foram desumanizadas. Não se barbariza um semelhante.

"Para que nunca se esqueça. Para que nunca mais aconteça".

E você, se sente segura?

Taty Valéria

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