A sanha social pela desgraça alheia e a luta de Márcia Lucena em se defender de forma digna - Paraíba Feminina

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sexta-feira, 6 de março de 2020

A sanha social pela desgraça alheia e a luta de Márcia Lucena em se defender de forma digna



A Letra Escarlate é uma obra publicada em 1850 de autoria de Nathaniel Hawthorne, que virou filme em 1995, protagonizado por Demi Moore, e ganhou uma refilmagem em 2015. A Letra Escarlate é um retrato dramático e comovente da submissão e da resistência às normas sociais, da paixão e da fragilidade humanas Veja o trailer aqui.

A obra conta a história de Hester Prynne, que após cometer o “crime” de adultério e engravidar do amante, é sentenciada a usar a letra “A” costurada no vestido. Além disso, Hester só pode sair à rua com um garoto batendo um tambor à sua frente, para anunciar à comunidade que ela estava de passagem. Hester foi uma mulher julgada e condenada a ser constantemente humilhada e hostilizada. A letra que carregava ao peito levava o peso da desonra. A sanha social pela sua desgraça precisava ser saciada, e nada melhor que a aquele símbolo estampado em seu peito para curar a sanha por um justiçamento.



A prefeita de Conde, Márcia Lucena, não tem uma letra “A” costurada em seu vestido. Não estamos mais no século XVI, período em que a história se passa. Mas estamos em tempos de medo, de justiçamentos e apedrejamentos públicos, e na falta de uma letra qualquer para se costurar na roupa, usa-se uma tornozeleira eletrônica. O objetivo, exatamente o mesmo: humilhar e hostiliza, impedir que ela exerça suas funções, trancafiá-la em casa e garantir que a moral e os bons costumes não sejam atingidos pela imagem de uma mulher, que assim como Hester, resolveu que a sua honra e a sua história não precisam de intermediários.

Assim como Hester, que não se furtou a continuar exercendo as funções que uma mulher, numa comunidade extremamente opressora e conservadora, poderia cumprir. Márcia é prefeita. Por força do voto e por força da lei. Ela precisa, e deve, continuar no exercício do cargo. E na falta de um garoto num tambor anunciando sua passagem, temos alguns setores da “imprensa” que conseguem sair gritando que ela está de passagem.

o garoto do tambor, faz barulho, mas não causa medo

De acordo com o que foi divulgado, ela teria “perdido a vergonha”.

Vergonha de quê, exatamente? De ter sido presa sem uma justificativa plausível, baseada apenas numa delação? De não ter tido acesso aos autos do processo? De não ter tido a mínima oportunidade de se defender de forma digna? De continuar exercendo a função a qual foi eleita? De ter sido exposta publicamente como uma criminosa, sem ter tido qualquer crime comprovado?

Ora, qual seria a alternativa de Márcia Lucena? Se esconder? Parar de trabalhar? Fugir das pessoas? Se furtar a usar seus vestidos?

vergonha de quê, exatamente?


Quantas dessas perguntas poderão, em algum momento, ser respondidas?

As mulheres de hoje já não têm mais medo de garotos com tambor.

Taty Valéria

6 comentários:

  1. Estamos com Márcia Lucena e tornozeleiras não nos paralisarão!!!!

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  2. Tadinha da prefeita...Fez da prefeitura uma extensão da orcrim (conforme denuncia do MPE) e agora posa de vítima feminista (como só ela está a usar Tornozeleira Eletrônica).

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    1. Lamentável vc não ter lido nem os autos... és um fanfarrão...

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  3. A denuncia do MPE segue a cartilha criada pelo atual ministro da Justiça, cujo cargo recebeu como prêmio por afastar Lula da disputa presidencial e sem qualquer prova. Márcia sofre igual perseguição, num país em que delação de bandido virou prova. Prática fascista que hoje é regra no MPF e nos MPEs espalhados pelo Brasil. Lula passou 580 dias preso injustamente e o ministro continua a perseguí-lo, sem nunca ter apresentado uma prova sequer contra o ex-presidente. Márcia agora se vê restringida no seu direito de ir e vir, sem que os "homens de bem" do MPE provem sua culpabilidade. A história de injustiça continua e pode até se perpetuar. Não duvido. A julgar pelo poder Judiciário que temos, pois hoje acata "o entendimento pessoal" de qualquer juiz ou desembargador, cuja caneta só pesa contra lideranças que mudaram a face de municípios, estados e do país. O Judiciário dá uma guinada à direita, ao fascismo, à destruição das conquistas e direitos sociais. Ao fim da democracia.

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  4. Linchamentos dessa natureza assemelham-se aos da inquisição na idade média. No Brasil, as oligarquias agrárias alçadas à condição de empresariado urbano, ocupantes do legislativo, judiciário e, até mesmo a representantes de Deus, trabalham para desmoralizar qualquer político que ouse sair da lógica da opressão contra a maioria. Todo apoio a Márcia Lucena.

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  5. Força Prefeita Márcia Lucena ! A operação espetáculo que parte do MP e Judiciário local copiam da esfera federal jamais ofuscara a sua história de luta.

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