O drama dos professores, o carinho dos alunos e os desafios do EAD no meio de um confinamento - Paraíba Feminina

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quarta-feira, 13 de maio de 2020

O drama dos professores, o carinho dos alunos e os desafios do EAD no meio de um confinamento



Muito tem se falado na dificuldade de mães, pais e crianças em relação às aulas remotas, alternativa ao confinamento causado pela pandemia do coronavírus.

Mas pouca gente lembra de quem está do outro lado da tela. São professoras e professores que, até então, não precisavam se familiarizar com equipamentos, programas e plataformas de vídeo aulas.

Em Recife, uma professora do 1º ano do ensino médio expôs, mesmo sem intenção, que o trabalho desses profissionais precisa ser olhado com mais cuidado e respeito pela profissão.

A professora de matemática Débora Meneghetti, do colégio GGE de Recife (PE), nunca tinha trabalhado com ensino à distância (EAD) na vida e, de repente, se viu diante do desafio.

“Descobri que meu computador tava sem som, que a webcam tava quebrada, uma porção de coisas que habitualmente eu não uso e, de repente, eu tive que usar. Eu tive que adaptar celular e computador, então eu pegava som do celular e imagem do computador”, disse a professora.

Ela passou quatro dias fazendo treinamento para ministrar aula de EAD e virou a madrugada inteira preparando a aula. Mas só que na hora as coisas simplesmente não funcionaram.

“Ela ficou mutada, falava, mas ninguém ouvia. Depois ela apareceu com duas câmeras. Quando ela conseguiu resolver o problema do áudio já tinha passado metade da aula, aí ela não conseguia botar os slides, o material que ela havia preparado”, disse a estudante do 1º ano Laura Pinel.

Estudantes começaram a mandar mensagens de apoio e professora se emocionou

O esforço de quase uma semana inteira estava indo por água abaixo. Inevitavelmente a professora ficou nervosa e foi aí que os alunos formaram uma corrente positiva mandando boas energias para a tia pelo chat da plataforma.

“Começaram a me mandar muitas mensagens, mas umas mensagens muito carinhosas. Aí eu já tava tensa, cansada, comecei a me emocionar e eles perceberam que eu estava chorando“, disse a professora de matemática.



Aí não teve jeito, a aula acabou porque não tinha mais condições de continuar. A professora desabou no choro. A professora agradeceu pelo apoio.

Outras pessoas e profissionais deram apoio à professora

E não foram só os alunos que deram incentivo para a Débora. Apesar de que eles foram os primeiros a demonstrar empatia pela situação da educadora.


“Todos entenderam e começaram a mandar mensagem pra ela pelo whatsapp também falando que tava tudo bem, que não tinha problema, que a gente tinha dificuldade também pra mexer e elogiando o trabalho dela”, disse Laura.

No mesmo dia, Laura postou a história no seu perfil no Twitter.

Depois disso, vários ex-alunos até de muitos anos atrás, mandaram mensagens também para a professora. “Aí eu me transformei num rio de lágrimas“, disse.

Outros profissionais da escola entraram em contato com ela e a ajudaram a resolver tudo para a aula seguinte. No mesmo dia a professora já conseguiu participar de um projeto do colégio por telechamada e ensinou uma receita para os alunos.


“A atitude de todos eles foi de muita empatia, muito carinho, muito amor. Compreenderam a situação que eu tava passando e foram solidários, e isso foi muito bom, me deu muita alegria, sabe?”, relatou Débora.

Ela ainda deixou uma mensagem para os tantos professores que estão tendo que se adaptar a esta realidade neste momento.

“Não podemos desistir nunca, temos que pesquisar, buscar ajuda, não ter vergonha de dizer que não sabe e perguntar a quem sabe e sempre procurar fazer o melhor para os seus alunos. Esse não é o nosso trabalho, é a nossa missão“, finalizou.

do site Razões para Acreditar

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