No dia do Orgulho LGBT, jovem é atacado por evangélica em pleno trabalho: “Eu tenho nojo de viado” - Paraíba Feminina

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terça-feira, 30 de junho de 2020

No dia do Orgulho LGBT, jovem é atacado por evangélica em pleno trabalho: “Eu tenho nojo de viado”



"Você é viado? Eu tenho nojo de viado. Por que você é viado? Nasceu sem pinto? Eu tenho nojo de viado, eu sou uma serva de Deus!"

Imagine que você está no seu trabalho, cumprindo suas obrigações, diante de uma pandemia e que sua função é lidar com o público.

Agora imagina que, do nada, uma senhora, descalça, se afirmando evangélica, te agride com palavras, depois te puxa pela camisa, tenta te atingir com uma barra de ferro, destrói seu local de trabalho, te destrói emocionalmente e te expõe publicamente para seus colegas e pra qualquer um que quisesse assistir. Isso tudo, porque você é gay. 

As imagens do vídeo são chocantes.



Domingo 28 foi o Dia Internacional do Orgulho LGBT+. Uma data que seria de comemorações e debates se transformou em tragédia para o jovem João Victor da Silva Pedroso, de 22 anos. O morador da cidade de Lucas do Rio Verde (MT) foi vítima de agressão homofóbica em seu trabalho.

João é agente bilheteiro na empresa Verde Transporte, que fica na rodoviária da pequena cidade de apenas 65 mil habitantes. No começo da tarde de domingo, uma mulher de 42 anos entrou no local e ultrapassou a barreira permitida que foi determina no espaço por conta da Covid-19. João então alertou a senhora, que se recusou a sair.

A mulher, então, perguntou se João era “viado”. Assim que confirmou, o jovem começou a ser agredido. “Eu sou uma serva de Deus. Por que você é viado, nasceu sem pinto? Você sabe que viado vai para o inferno? Eu tenho nojo de viado”, disse a mulher enquanto segurava João pela roupa.

“Eu tentei procurar ajudar, corri para a frente da agência porque tinha muita gente lá. Pensei: as pessoas vão me ajudar e acabou que ninguém me ajudou. Ninguém se chocou com o que estava acontecendo. Todo mundo com o celular na mão, todo mundo queria ter o melhor ângulo, o melhor vídeo para postar”, relata João.

O agente bilheteiro não reagiu em nenhum momento, apenas segurou as mãos da mulher para se defender enquanto aguardava a polícia chegar. Em uma tentativa de se proteger, já que ninguém prestou socorro ao jovem, João correu para dentro da loja. Nesse momento, a mulher pegou um pedaço de ferro e começou a quebrar todos os computadores do local.  “Ela ficou descontrolada quando falei que era gay. Se ela pudesse, me matava ali”, conta João.

O jovem até então não era assumido para todos de seu trabalho, pois sempre foi muito reservado. Com o ocorrido, João foi exposto para seus amigos e familiares, mas conta que foi acolhido por todos.

Então é isso. A idolatria, que já ultrapassou qualquer limite de fé e de bom senso, chegou à nossa porta. Um neopetencostal se acha no direito de agredir qualquer um que ele considerar que "merece". 

É esse o novo normal?

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