O cheiro da vagina, o desconforto feminino e a luta pelo fim de velhos protocolos estéticos - Paraíba Feminina

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quarta-feira, 17 de junho de 2020

O cheiro da vagina, o desconforto feminino e a luta pelo fim de velhos protocolos estéticos



Estar sempre magra, com o cabelo arrumado, as unhas bem feitas, a maquiagem impecável, o tom de voz baixo, o comportamento precisa ser exemplar. Sem celulites, sem estrias, sem barriginha. São tantos os protocolos estéticos e comportamentais exigidos das mulheres que às vezes nos perguntamos se podemos ser nós mesmas. Tudo é uma grande simulação, e nossa essência acaba sendo enterrada.

Falando em essência, e nas "obrigações" impostas e ensinadas, acabamos por ter vergonha do nosso próprio cheiro. Sim, é desse cheiro que você está pensando.

Mulheres, ao contrário do que a indústria cosmética e a publicidade tentam nos fazer acreditar, não têm naturalmente cheiros de flores. A pele, os cabelos, o suor que se acumula nas axilas ou embaixo dos seios, e principalmente, da vagina - que excreta secreções, é úmida e, por isso, vive sofrendo com a pecha de "suja"- são partes do corpo que, dependendo de vários fatores, geram cheiros inerentes a elas.

O que mais gera preocupação, na maioria das vezes, são os cheiros vaginais. Não à toa, a sexualidade e a menstruação são tratadas com vergonha por muitas mulheres.

Mas a luta contra o suor quase sempre demanda bastante esforço de nós — que lançamos mão de lenços umedecidos, cremes, perfumes e outras formas de disfarçar o cheiro, para que fiquemos cheirosas o dia todo.

Mas que tipo de cheiro é natural? E quais são alvo de higienização só por que temos tabus em relação ao nosso corpo?

Muitas mulheres confundem os cheiros na região genital: vagina, vulva e virilha têm odores diferentes, e é importante conhecê-los para naturalizá-los. "A mulher quase sempre sabe pouco dessa região e, por isso, a associa a algo que não é limpo", comenta a ginecologista e obstetra Carolina.

Para limpar, é recomendado lavar vulva e virilha apenas com sabonete e água, externamente. "Quanto menos agente químico houver no sabonete, melhor", orienta Carolina. Pelos da vulva e da virilha não são motivo para que a região tenha um cheiro ruim. Ou seja: ficar sem depilar não é "nojento" ou sinônimo de falta de higiene, como muita gente pensa.

"Os pelos são proteção e a depilação, inclusive a completa, é uma construção social. O que pode acontecer, entretanto, é que a secreção vaginal pode grudar ali nos fios e secar".

Sabonetes íntimos são itens polêmicos, mas não são terminantemente proibidos. Para algumas mulheres, podem funcionar; para outras, há alteração na flora vaginal e no pH da região (que é pH 4, ácido). O uso recomendado é de uma vez ao dia, diz a ginecologista, e sem colocá-lo no canal vaginal. Para os pelos, a recomendação é: faça o que você quiser.

A vagina, explica Carolina, tem um cheiro característico, mais adocicado. Não é preciso ter vergonha do odor natural dessa área, e o corrimento (isto é, a secreção vaginal) também é algo que devemos tratar com naturalidade. Casos em que ele aparece com cheiro diferente ou cor mais forte, entretanto, merecem ser avaliados por ginecologistas.

Qualquer variação de cheiro, na verdade, pode ser um sinal de desequilíbrio do organismo. Candidíase, vaginose e odores diferenciados precisam de cuidados médicos específicos.

Cheiro de menstruação existe?

A ginecologista Carolina explica que não é perceptível ao nariz humano um cheiro específico "de menstruação". "O que acontece é que o sangue passa a ter um cheiro quando entra em contato com o ar, mas é por causa da oxidação", explica. Por isso, a mulher que usa coletor menstrual deixa de sentir esse cheiro. Fica a dica.

Hormônios: o cheiro muda de acordo com as idades

Assim como outras mudanças no corpo, os cheiros também podem mudar, por uma questão fisiológica, em cada fase da vida. "São muitas alterações hormonais, de menina a mulher. Na puberdade, por exemplo, os ovários produzem o estrógeno e a progesterona em quantidades significativas — e eles são aromáticos, atuam na atração sexual", explica Lívia. A produção diminui na menopausa, por exemplo, e se altera na gestação.

A grande questão aqui é: por que esconder nossos cheiros, nossa essência? São tantos os tabus e as limitações que esquecemos até do que é normal e natural.

E aqui concluo com uma frase que cabe perfeitamente nesse contexto: "Se você não gosta do cheiro de mulher, vá cheirar um homem". Simples, não?

Taty Valéria

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